quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Vitamina D ajuda na fibromialgia

Na revista Pain vem publicado um estudo que avaliou a relação entre a vitamina D e a fibromialgia.
O papel da vitamina D na perceção da dor é bastante interessante e já foi discutido em diversas publicações. Baixos níveis de vitamina D são muito comuns em pacientes com dor crónica ou com diagnóstico de fibromialgia. Não existem muitos estudos a verificar o efeito da suplementação.

A investigação em causa incluiu 30 homens com diagnóstico de fibromialgia com níveis de vitamina D inferiores a 32ng/mL que foram divididos entre grupo controlo e grupo de tratamento. O objetivo era aumentar os níveis de vitamina D para valores entre 32 e 48 ng/mL durante 20 semanas através de suplementação.
No final da suplementação foram aguardadas mais 24 semanas sem que nenhum grupo fosse suplementado e no final desse período ambos os grupos foram re-avaliados.

A hipótese que estava em cima da mesa era que o aumento dos níveis de vitamina D deveria resultar numa diminuição da dor. Para além da dor muitos outros parâmetros foram avaliados, relacionados com a qualidade de vida destes pacientes.

Nos pacientes suplementados foi verificada uma redução marcada da dor, um aumento da mobilidade e do bem-estar geral.
São necessários mais estudos, com um número maior de pacientes, mas esta investigação é já um bom indício de que a vitamina D poderá ajudar (e muito) pacientes com fibromialgia.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Vitamina D como potencial terapêutica para o tratamento da Endometriose

 A revista Metabolism,  Clinical and Experimental, Janeiro 2014, publica um estudo  prospectivo, baseado  na revisão da literatura cientifica de 1946 até 2013, sobre a relação entre Vitamina D (VD) e endometriose.

 O estudo pretende elucidar sobre o papel da VD na endometriose e considera que deficiência de VD é um factor de risco modificável para esta doença. Um nível elevado de VD no sangue está associado a um menor risco de endometriose.

A endometriose é definida como uma doença ginecológica causada pela presença ectópica de glândulas do endométrio e de estroma, provocada pelo refluxo de sangue menstrual devido à disseminação metastática do tecido do endométrio através da corrente sanguínea venosa.
Afecta 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva, causando dismenorreia, dispareunia, dor pélvica crónica, hemorragias uterinas e infertilidade.
Já existem estudos que confirmam os benefícios da VD na dismenorreia. O estudo aponta para o benefício da VD no combate à dor pélvica cronica, na endometriose.

Os autores destacam vários pontos relevantes a favor da evidência científica da acção biológica da VD na endometriose:

- A dieta, produtos lácteos e ambiente: A endometriose é considerada uma doença crónica inflamatória, estrógeno-dependente. O stress oxidativo pode contribuir para o aparecimento da doença. A dieta tem influência através da promoção da inflamação e dos efeitos estrogénicos. A endometriose é mais frequente em consumidoras de produtos lácteos. O nível sanguíneo de VD é inversamente associada à endometriose.

- O VDR afecta a expressão genética de 900 genes. A VD e seus metabolitos estão relacionados com infertilidade, 30 a 50 % das mulheres com endometriose são inférteis. A VD induz o processo de implantação do blastocisto.

- O endométrio como alvo da actividade da VD - o tecido do endométrio é hormono-dependente. O receptor da VD (VDR) e as enzimas  24-hidroxilase e 1-alfa–hidroxilase encontram-se nas células normais do endométrio. O endométrio é alvo da acção da 1,25 dihidroxivitamina D através da regulação de genes e do sistema imune e intervém na regulação de genes específicos - o gene Hoxa10 envolvido na embriogénese.

- A endometriose como doença auto-imune, é uma doença com características malignas que obedece a critérios de doença auto-imune e a VD sendo um agente antiporoliferativo, anti-inflamatório e com propriedades imunomodeladoras tem impacto positivo no controle desta doença.

- A VD como agente antineoplásico - A endometriose mimetiza a doença maligna caracterizada pela invasão das células de endométrio a órgãos adjacentes (intestino e bexiga), aumento da angiogénese, a necessidade de intervenções cirúrgicas e o aumento da incidência de cancro do ovário. Há demonstração de que a VD actua na redução da invasão tumoral e diminui a incidência de cancro nas mulheres pós-menopausa.

- A VD tem efeito imuno modelador controlando a resposta TH1 e TH2, inibindo a IL12, IL2,TNF e interferon.

- A VD como potencial para tratamento da endometriose - estudos realizados em modelos animais em que utilizaram um agonista da VD “elocalcitol”, demonstrou reduzir as lesões em 1 a 2 semanas depois de induzida a doença em animais. Aguardam-se estudos em mulheres afectadas.

Filomena Vieira
Médica

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Entrevista Dr Cícero Coimbra - Vitamina D

Ontem no Programa "Sua Saúde", o Dr Cícero esclareceu mais uma vez o público sobre as funções da vitamina D e os seus benefícios do tratamento de casos de Esclerose Múltipla.

Nunca é demais ouvir:


http://videos.ruralbr.com.br/canalrural/video/sua-saude/2014/02/vitamina-pode-ajudar-combate-esclerose-multipla/63300/

Veja aqui a reportagem.
Leia aqui sobre o nosso Protocolo de Correcção Terapêutica da Deficiência de Vitamina D.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Vitamina D poderá ser uma ajuda na terapêutica da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Foi publicada na revista CNS Neuroscience and therapeutics uma revisão sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) e a vitamina D.

A vitamina D já demonstrou influenciar diversos aspetos em casos de ELA. Alguma investigação em ratinhos mostra que o tratamento com vitamina D pode melhorar a função muscular comprometida e aumentar o tamanho muscular que foi perdido por consequência da doença. A vitamina D também diminui a expressão de biomarcadores associados a stress oxidativo e inflamação em pacientes com esclerose múltipla, artrite reumatóide, doença de Parkinson, doença de Alzheimer – doenças que partilham características patofiosiológicas com a ELA.

Para além disso, recentemente os autores publicaram outra investigação que mostrava que altas doses de vitamina D melhoram sintomas em ratinhos com ELA e a privação da vitamina D piorava o quadro clínico.
Conclui-se que a evidência disponível mostra que, ao contrário do que se passa com o medicamento riluzol, a vitamina D afeta muitos aspetos da patofisiologia da ELA e pode ter efeitos cumulativos muito benéficos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Associação de baixos níveis de Vitamina D e mortalidade

Na revista “Age and Ageing “ da British Geriartrics Society, de Dezembro 2013, vem publicado um artigo intitulado “Associação da 25-hidroxivitamina D, 1,25-dihidroxivitamina D e da hormona paratiróide com a mortalidade em homens europeus de meia-idade e idosos”.

A vitamina D tem sido associada a um aumento do risco de mortalidade, mas a relação tem sido ligada à morbilidade coexistente e a factores de risco ambientais adversos.
O objectivo deste estudo é demonstrar que os níveis baixos de vitamina D são prognóstico de todas as causas de morte, principalmente cardiovasculares e cancro, independentemente do estado de saúde e estilos de vida do individuo antes da morte.

Ainda não sabem determinar qual o nível de Vitamina D a partir do qual há o risco aumentado de morte por determinada doença, excepto no cancro, que está associado a um nível endógeno de vitamina D inferior a 25 nmol/l (normal 80 a 100nmo/l).

A hormona paratiróide (PTH) elevada está associada a um aumento de todas as causas de morte.

Na nossa opinião a determinação do nível sanguíneo da Vitamina D neste grupo etário entre 50 e 80 anos em indivíduos  de ambos os sexos,  saudáveis ou doentes, permite corrigir deficiências, prevenir determinadas doenças e dar melhor qualidade de vida àqueles que já sofrem de doenças crónicas.
 
Filomena Vieira
Médica

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Relação da vitamina D com a função do pâncreas

Uma investigação publicada no Pakistan jornal of medical sciences teve como objetivo avaliar a relação entre os níveis de vitamina D e a função das células beta do pâncreas.
As células beta do pâncreas são as responsáveis pelo armazenamento e secreção de insulina.

O estudo incluiu 180 pacientes com diabetes mellitus tipo 2, 178 pacientes com valores de glicose fora do normal e 160 controlos com valores normais. Foram efetuadas várias análises que comprovaram a função pancreática, (prova de tolerância oral à glicose, bem como diversos índices para avaliar a secreção da insulina e sua eficácia), bem como medição da vitamina D.

Os níveis de vitamina D foram significativamente mais baixos e os índices de avaliação das funções das células beta foram piores, nos pacientes diabéticos ou com alterações do metabolismo da glicose do que nos controlos saudáveis.
Os resultados mostraram também que os níveis baixos de vitamina D estavam positivamente relacionados com a secreção de insulina em jejum e com o índice de medição de função das células beta.

Portanto, todos os resultados apontaram para uma relação íntima e directa entre os níveis de vitamina D e a função das células beta do pâncreas. 

Por isso, os pacientes diabéticos devem ser também alvo de medição do valor da vitamina D, bem como quem apresenta alterações do metabolisimo da glicose, para que possam ser feitas correções antes que níveis baixos de vitamina D piorem ainda mais o estado de saúde.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Medição de vitamina D em jovens saudáveis pode fazer sentido!

Uma investigação publicada no jornal Nutrition já em 2014, avaliou os níveis de vitamina D de 1100 adolescentes iranianos (52% dos participantes rapazes) e verificou se poderiam estar relacionados com fatores de risco cardiometabólico (pressão arterial, colesterol, ...). A média de idades rondava os 14 anos.
 As relações da vitamina D com os fatores de risco cardiometabólico foram ajustados para a idade, género, índice de massa corporal e perímetro da cinta.
O nível médio de vitamina D foi de 12.70 ng/mL nos rapazes e 13.20 ng/mL nas raparigas, o que são níveis insuficientes. 40% dos participantes tinha um nível deficiente de vitamina D e 39% tinham um nível insuficiente. 
Foram encontradas relação entre os níveis baixos de vitamina D e pressão arterial alta, colesterol total e colesterol LDL altos e colesterol HDL baixo. A relação mais forte foi com o HDL baixo (que é o colesterol bom que deve estar alto).

Este estudo demonstra por isso, uma taxa elevada de deficiência de vitamina D numa população jovem de um país onde a exposição solar não é problema. Os baixos níveis de vitamina D foram associados a fatores de risco cardiometabólicos independentes do peso dos jovens.
Mesmo nos adolescentes é importante a medição da vitamina D e a sua correção se necessário!