segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Será que a Vitamina D é o futuro no tratamento da Esclerose Múltipla?

Como o tratamento convencional da Esclerose Múltipla (EM) não tem demonstrado eficácia na maior parte dos casos, a comunidade científica procura outras soluções. 

A EM é mais comum em regiões afastadas do equador, com fraca exposição solar e está relacionada com deficiência em Vitamina D. Já existem estudos que demonstram que a Vitamina D pode ajudar a prevenir e a tratar a EM, mas não se sabe qual o mecanismo subjacente.
Investigadores do Johns Hopkins Medicine, publicaram a 9 de Dezembro 2013, um estudo sobre como a Vitamina D actua no tratamento da EM. 

Neste estudo, foram utilizadas modelos animais (ratos) com EM aos quais foram administradas altas doses de Vitamina D. Detectaram nos animais após a toma da Vitamina D, um aumento dos linfócitos T, no sangue, mas o mais interessante é que estas células não aumentaram no Sistema Nervoso Central (SNC). Os animais que tomaram altas doses de Vitamina D tinham poucas células T no cérebro e espinhal medula.
 Nas doenças auto imunes os linfócitos T, encarregados das defesas do organismo, tornam-se desreguladas e atacam as células normais e no caso da EM, destroem a mielina.

Neste estudo, os investigadores demonstraram que a Vitamina D produz uma substância adesiva que impede a emigração das células T dos vasos sanguíneos, para o exterior, mantendo-as em circulação e evitando assim a agressão ao SNC.

Os investigadores verificaram que ao retirarem Vitamina D aos ratos, surgia uma reactivação da EM.

Segundo os autores a Vitamina D actua nos ratos como nos humanos e a Natureza criou um mecanismo para proteger o SNC de agressões do sistema imune. A Vitamina D parece ser mais eficaz e segura do que as drogas convencionais e poderá ser no futuro a principal proposta terapêutica para a EM.


Filomena Vieira
Médica

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Calcidiol (25(OH)D3): a melhor forma de medir e suplementar na osteoporose

Uma revisão publicada no Current medical research and opinion, confirma a importância da medição da vitamina D na forma de 25(OH)D3 e não noutras formas, bem como a sua suplementação, já que o metabolismo da vitamina D é complexo e requer diversas ativações.



A osteoporose caracteriza-se por diminuição da massa óssea que resulta num aumento de risco de fracturas. A osteoporose é um problema de saúde pública em todo o mundo que influencia negativamente a qualidade de vida.
A forma mais comum de osteoporose (osteoporose primária), resulta da redução da massa óssea por consequência da idade. Ao longo dos anos, a capacidade de formar osso é diminuída ao mesmo tempo que a síntese de vitamina D (responsável pela absorção do cálcio) também diminui. Com a diminuição dos níveis de cálcio sanguíneo, o organismo aumenta a retirada de cálcio do osso para compensar a falta de cálcio – aumentando o risco de osteoporose.

Por isso, a produção de vitamina D e o controlo dos seus níveis são indispensáveis para uma saúde óssea ótima.

A vitamina D (colecalciferol) é sintetizada na pele através da radiação solar, depois é hidroxilada no fígado e transforma-se em calcidiol [25(OH)D3] que por sua vez é hidroxilado de novo no rim e se transforma em calcitriol [1,25(OH)2D3].
A suplementação em humanos, para ser mais eficaz deve ser feita na forma de calcidiol para evitar que a metabolização no fígado tenha efeitos negativos na dose suplementada. A revisão de literatura feita entre 1967 e 2013 confirmou esta noção – a medição e suplementação de vitamina D deve ser feita na forma de calcidiol [25(OH)D3]. O mesmo se aplica a outros casos para além da osteoporose, onde a suplementação com vitamina D é necessária.

Imagem retirada daqui.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Coenzima Q10 reduz a frequência dos surtos na Esclerose Múltipla

No International Journal of Neuroscience de Novembro 2013, vem publicado um estudo científico, que relata a importância dos suplementos com Coenzima Q10 (CoQ10) na redução do stress oxidativo e no aumento da capacidade antioxidante nos pacientes com Esclerose Múltipla (EM), surtos/remissiva.

O estudo consistiu na avaliação do efeito terapêutico da administração de 500mg/dia de CoQ10, versus placebo, durante 12 semanas, em 45 doentes com EM.
Estes pacientes realizaram análises de sangue antes e depois do tratamento. Analisou-se a capacidade total antioxidante (TAC), malondialdeído (MDA) e dosearam-se as enzimas antioxidantes superoxidodismutase (SOD) e glutationa peroxidase (GPX).

Os autores concluíram que os doentes que tomaram o suplemento com 500mg de CoQ10, apresentaram um significativo aumento da atividade das enzimas antioxidantes e uma redução do número de surtos.

Este estudo sugere que suplementos com CoQ10 podem reduzir o stress oxidativo, aumentar a actividade enzimática (SOD e GPX) e reduzir a frequência dos surtos na EM.

Na nossa opinião sendo a CoQ10 necessária para a produção de energia e um potente antioxidante, a sua falta pode causar danos irreparáveis no cérebro. A associação com a Vitamina D em altas doses, pode trazer grandes benefícios para os doentes com EM.

Filomena Vieira
Médica

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Deve a vitamina D fazer parte do tratamento da asma?

Um artigo sobre asma e vitamina D será publicado na revista Otolaryngologic Clinics of North America em Fevereiro de 2014, mas tivemos acesso a alguns dados desta revisão e é com espectativa que aguardamos a altura em que poderemos ler o artigo completo.
Os investigadores confirmam a importância da medição dos níveis de vitamina D em casos de asma e sublinham a necessidade de cuidados personalizados com análises frequentes.

Pontos que os investigadores já revelaram:
- A vitamina D é importante para o sistema imunitário.
- Vitamina D em níveis insuficientes pode despoletar asma.
- Suplementos de vitamina D podem ajudar a tratar asmas resistentes aos esteróides, a reduzir perda de osso por consequência da toma dessa medicação, melhorar a terapia imunológica, diminuir infecções. Há ainda poucos estudos duplamente cegos nesta matéria.
- Nos pacientes com doenças alérgicas deve ser medido o valor de calcidiol (25(OH)D3), sendo que menos de 25 nmol/L deve ser considerado deficiência e valores entre 50-72,5 nmol/L devem ser considerados insuficientes.
- Suplementação de vitamina D até 10 000 Unidades Internacionais por dia são consideradas seguras. Apesar disso e por causa da variabilidade individual, devem ser feitas medições frequentes durante o tratamento.
- Provavelmente passarão anos até haver consenso sobre os benefícios da vitamina D e a melhor forma de tratamento. A decisão de suplementar depende por exemplo da severidade da doença, história de infecção, uso de esteróides, nível de vitamina D actual.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Stress oxidativo e Esclerose Múltipla

Na revista “Trends in Molecular Medicine” de 24/Dez/2013, vem publicado um artigo sobre o impacto do stress oxidativo na Esclerose Múltipla (EM).
Salientamos os seguintes itens:
- A disfunção mitocondrial contribui para a neuro-degeneração.
- A neuro-inflamação perpetua a doença.
- Restabelecendo a atividade normal da mitocôndria poderá ser o objetivo principal do tratamento da EM.

A mitocôndria é um organito citoplasmático intracelular que é responsável pela produção de energia através de várias reações enzimáticas. Como produto final há a produção de radicais livres de oxigénio, que num corpo saudável são eliminados naturalmente, mas quando produzidos em excesso podem levar ao stress oxidativo.
Nos doentes com EM este metabolismo está alterado havendo disfunção mitocondrial com a produção de stress oxidativo, que contribui para a neuro-degeneração.
Estudos revelam que a disfunção mitocondrial contribui para a perda e destruição dos neurónios.

É importante esta nova visão sobre a disfunção mitocondrial na MS, abrindo novas perspectivas no tratamento da EM, que inclui o combate ao stress oxidativo.

Filomena Viera
Médica

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Não foi encontrada relação entre níveis de vitamina D e “pedras nos rins”


Uma das preocupações quando se está a fazer suplementação de vitamina D, é a possibilidade de o rim ser afetado por exemplo através de litíase renal (as vulgarmente chamadas “pedras nos rins”).
No jornal American Journal of Public Health, vem descrita uma investigação que verificou se haveria aumento da prevalência de litíase renal em indivíduos com níveis de vitamina D entre 20 e 100 ng/mL.

Recolheu-se informação e amostras de sangue de cerca de 2 mil participantes de diversas idades, de ambos os sexos e que foram seguidos em média 19 meses. A média do valor de vitamina D dos intervenientes era 45 ng/mL.

Muitas investigações mostram que um nível de vitamina D entre 40-60 ng/mL leva a diminuição do risco de diversas doenças como diabetes e alguns cancros. Para atingir estes valores a maior parte das vezes tem de se recorrer à suplementação.

No estudo em causa, não foi encontrada nenhuma relação entre o nível de vitamina D e a litíase renal.
Os investigadores concluem que desde que se façam análises para confirmar o valor de vitamina D e a amplitude da sua subida, não deve haver receio por parte da comunidade médica em utilizar pelo menos 4 mil Unidades Internacionais.

Nota: A partir de 10 mil unidades Internacionais devem existir cuidados específicos em termos alimentares. É por isso que todos os que iniciam o Protocolo de correção terapêutica de vitamina D são acompanhados por uma médica e uma nutricionista.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Nível de vitamina D melhor em estratos socioeconómicos mais altos

Uma universidade do Texas foi averiguar se o estrato socioeconómico influencia a quantidade de vitamina D que os americanos têm. A publicação está na Public Health Nutrition e para o estudo foram usados dados do NHANES (National Health and Nutrition Examination Survey),  2007-2010.

Foram avaliados os dados de 11857 adultos com mais de 19 anos, sendo que foram excluídos todos aqueles que tomavam altas doses de vitamina D. Restaram 9719 indivíduos.

Os investigadores verificaram que a ingestão total de vitamina D (alimentos + suplementos) é significativamente maior nos grupos de maior poder económico. O poder económico estava associado com a vitamina D em quase todos os grupos étnicos avaliados.

A ingestão diária de vitamina D verificada neste estudo foi maior do que em estudos anteriores, mas ainda assim cerca de 80% dos participantes não estavam a ingerir a quantidade de vitamina D necessária.As mulheres são as que mais usam suplementos e foi nos estratos sociais mais altos que também se verificou mais suplementação. A principal fonte alimentar de vitamina D nesta população foi o leite e leite fortificado. 

Esta investigação reforça a necessidade da preocupação com a medição da vitamina D e do incentivo à ingestão de alimentos com esta vitamina e de suplementos sempre que o valor estiver realmente baixo.